
Rivaldo dos santos
10 de jan. de 2026
Eles não são ouro nem prata, mas valem muito mais para a indústria tecnológica. Entenda o que são esses 17 elementos químicos e por que a China domina esse mercado vital.
Você sabe o que tem dentro do seu celular? Descubra o que são os metais de Terras Raras, por que eles são essenciais para a revolução verde e qual o papel do Brasil nessa disputa global.
Se você pegar a Tabela Periódica agora, provavelmente vai ignorar duas linhas que ficam "escondidas" lá embaixo, separadas do resto. Elas parecem irrelevantes. Mas a verdade é que, sem esses elementos de nomes estranhos (como Neodímio, Disprósio e Lantânio), o mundo moderno simplesmente pararia.
Eles são chamados de Metais de Terras Raras. E, assim como na "Guerra dos Chips", existe uma batalha silenciosa acontecendo agora para garantir o acesso a eles.
O que são e por que "Raras"?
Primeiro, vamos quebrar um mito: as Terras Raras não são raras. Alguns desses elementos são mais comuns na crosta terrestre do que o Chumbo ou o Cobre. O nome vem da dificuldade de extração. Eles não são encontrados em "pepitas" puras como o ouro. Eles estão misturados no solo com outros minerais, exigindo um processo químico complexo, caro e muitas vezes poluente para serem separados e purificados.
Onde elas estão no seu dia a dia?
Você interage com terras raras o tempo todo:
O Vibracall do Celular e Alto-Falantes: Imãs super potentes feitos de Neodímio são o que fazem seu celular vibrar e sair som em fones de ouvido minúsculos.
Telas Coloridas: O Európio e o Térbio são usados para criar as cores brilhantes nas telas de LED e OLED.
Carros Elétricos: O motor de um carro elétrico precisa de ímãs permanentes que suportem altas temperaturas. Sem terras raras, os motores seriam gigantescos e pesados.
Energia Eólica: As turbinas gigantes precisam desses metais para gerar eletricidade de forma eficiente.
Basicamente: Sem Terras Raras = Sem Revolução Verde.
O Monopólio Chinês
Aqui entra a dor de cabeça do Ocidente. Nas últimas décadas, os EUA e a Europa fecharam suas minas por questões ambientais e custos trabalhistas. A China fez o oposto. Hoje, a China controla cerca de 70% da extração e 90% do processamento desses metais.
Isso dá a Pequim um poder de barganha imenso. Se a China decidir "fechar a torneira" (como ameaçou fazer algumas vezes), a produção de Teslas, iPhones e caças militares F-35 nos EUA pode ser paralisada por falta de matéria-prima.
E o Brasil nessa história?
Temos uma carta na manga. O Brasil possui a segunda maior reserva mundial de Terras Raras, atrás apenas da China (e tecnicamente empatado com o Vietnã). Nossas reservas estão principalmente em Minas Gerais (Araxá e Poços de Caldas) e na Amazônia.
O problema é que o Brasil, historicamente, exporta o minério bruto barato e importa o produto tecnológico caro. O desafio nacional é desenvolver a tecnologia para processar esses metais aqui, entrando na cadeia de valor global e deixando de ser apenas um exportador de "terra".
Conclusão
Enquanto o mundo discute inteligência artificial e software, a base física da tecnologia continua dependendo de mineração. As Terras Raras são o petróleo do século 21 para a energia limpa. Quem controlar a química desses elementos, controlará a velocidade da inovação tecnológica.
