
Rivaldo dos Santos
4 de jan. de 2026
Ela era considerada a "mulher mais bonita do mundo" de dia e inventora militar à noite. Sem ela, seu GPS, Bluetooth e Wi-Fi não existiriam hoje.
Ela era considerada a "mulher mais bonita do mundo" de dia e inventora militar à noite. Sem ela, seu GPS, Bluetooth e Wi-Fi não existiriam hoje.
Você sabia que a tecnologia por trás do Wi-Fi e do Bluetooth foi criada por uma estrela de cinema dos anos 40? Conheça Hedy Lamarr, a mente brilhante que revolucionou a comunicação sem fio.
Quando você olha para o ícone do Wi-Fi no seu celular ou conecta seu fone Bluetooth, você deve imaginar que essa tecnologia veio de um laboratório da IBM, da Apple ou de algum cientista de óculos fundo de garrafa.
Você estaria errado. A base da comunicação sem fio moderna saiu da mente de uma das maiores estrelas de cinema da década de 1940: Hedy Lamarr.
Beleza e Cérebro
Nascida na Áustria, Hedy fugiu do nazismo e foi para Hollywood, onde estrelou clássicos como "Sansão e Dalila". O estúdio MGM a vendia como "a mulher mais bonita do mundo". Mas Hedy tinha um tédio mortal das festas de Hollywood. Em vez de ir para coquetéis, ela voltava para casa e montava um laboratório de engenharia no quarto. Ela inventou desde pastilhas efervescentes até melhorias para semáforos e aviões.
O Problema dos Torpedos
Durante a Segunda Guerra Mundial, Hedy queria ajudar os Aliados a derrotar Hitler. Ela percebeu um problema fatal nos torpedos guiados por rádio da Marinha americana: eles eram fáceis de bloquear. Bastava o inimigo descobrir a frequência do rádio e causar interferência (jamming), fazendo o torpedo errar o alvo.
A Solução: "Salto de Frequência" (Frequency Hopping)
Inspirada nos rolos de pianola (aqueles pianos que tocam sozinhos), Hedy teve uma ideia genial junto com o compositor George Antheil. E se, em vez de usar uma única frequência, o transmissor e o receptor trocassem de frequência aleatoriamente e simultaneamente, 88 vezes por segundo (como as 88 teclas do piano)?
O Resultado: O inimigo tentaria bloquear uma frequência, mas o sinal já teria "saltado" para outra. Seria impossível hackear. Eles patentearam a ideia em 1942 sob o nome de "Sistema Secreto de Comunicação".
4. Rejeitada e Redescoberta
A Marinha americana riu da ideia. Disseram que era "complexa demais" e sugeriram que Hedy ajudaria mais na guerra vendendo beijos para arrecadar fundos (o que ela fez). A patente ficou engavetada por décadas. Somente nos anos 60, durante a Crise dos Mísseis em Cuba, a tecnologia foi usada. E nos anos 90, com a revolução digital, os engenheiros perceberam que o Frequency Hopping Spread Spectrum (FHSS) de Hedy era a única forma segura de fazer vários dispositivos conversarem sem fio no mesmo lugar sem interferência.
Conclusão
Hedy Lamarr morreu no ano 2000, pouco antes da explosão dos smartphones. Hoje, toda vez que você se conecta ao Wi-Fi do aeroporto ou pareia seu smartwatch, você está usando uma variação da ideia daquela atriz austríaca. Ela provou que a inteligência não tem cara, gênero e muito menos estereótipo.
📚 Referências Bibliográficas
National Women's History Museum: Hedy Lamarr: Actress and Inventor Link da Fonte
Scientific American: Hedy Lamarr: Not Just a Pretty Face Link da Fonte
U.S. Patent and Trademark Office: Patent 2,292,387 - Secret Communication System Link da Fonte
